A rápida expansão dos meios digitais apanhou de surpresa as instituições onde se preparam os futuros Comunicadores. O ritmo acelerado transmitido pela tecnologia a todas as actividades sociais deixou os cursos de comunicação - tanto na Europa como na América Latina - até certo ponto desfasados da realidade: nascidas nalguns casos há duas ou três décadas, as licenciaturas em Comunicação foram pensadas para um tipo de profissional e de mercado em vias de extinção.
Neste contexto, a incorporação de conteúdos digitais nos currículos tradicionais de Comunicação decorreu de forma aleatória, sem que as competências exigidas pela sociedade digital tenham sido claramente definidas. Em grande parte dos casos, o digital aparece nos planos curriculares sob a forma de disciplina de final de curso (Jornalismo Digital, Comunicação Multimédia, etc). Porém, a realidade demonstra que já não existem meios de comunicação não digitais: actualmente, os profissionais da comunicação trabalham imersos num ambiente de forte conteúdo tecnológico que influencia toda a rotina produtiva e não apenas o produto final (imprensa, rádio, televisão, etc). Da mesma forma, os conteúdos digitais devem ser distribuídos nos planos de estudo dos cursos de comunicação, em vez de serem relegados para os últimos anos de licenciatura.
Tendo em conta este panorama, o projecto iniciado pela Rede Ibero-americana de Comunicação Digital (Rede ICOD), tinha como objectivo elaborar propostas concretas que acelerem a adaptação dos cursos da área de Comunicação à nova realidade digital.
No caso específico das universidades onde os cursos de Comunicação foram criados recentemente, a participação activa neste projecto permitiu-lhes recuperar a longa experiência acumulada por outros centros de estudo no sector da comunicação e, por outro, modelar desde logo os planos de estudo adaptados à nova realidade digital.