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1.1. A massificação

Sem renegar as especificidades de cada sociedade, o processo de massificação dos estudos superiores de Comunicação verifica-se tanto na Europa como na América Latina, em universidades privadas ou públicas, e em sistemas altamente regulados como em outros de livre acesso à educação. Alguns números podem servir para indicar a magnitude deste processo: em Espanha existem 40 universidades onde se leccionam todas ou algumas das três licenciaturas aprovadas pelo Ministério da Educação ("Jornalismo", "Publicidade e Relações Públicas" e "Comunicação Audiovisual") enquanto no Brasil existem 297 cursos reconhecidos de "Jornalismo". No ano passado, 2004, Portugal contava com 27 cursos superiores de "Ciências da Comunicação" que se leccionavam em 21 instituições, enquanto no Chile entre universidades públicas e privadas eram mais de 40 as que leccionavam cursos de "Jornalismo". A situação indicada no relatório apresentado pela Universidade da Beira Interior (Portugal) é representativa da realidade nos outros países: nas últimas décadas tem-se vivido "o milagre da multiplicação dos cursos" de comunicação, tanto ao nível de graduação como ao de pós-graduação:

"…Se os cursos superiores de ciências da comunicação tiveram em Portugal, na década de 90, uma expansão extraordinária, que ficou conhecida como o "milagre da multiplicação dos cursos" na expressão feliz de Mário Mesquita, é porque havia uma necessidade e uma apetência da sociedade portuguesa relativamente às profissões da comunicação, em particular, Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade, e Audiovisual".

Este crescimento de discentes -matizado em alguns casos pela redução da natalidade (Espanha) ou a planificação estatal que regula o ingresso na faculdade (Cuba)- obriga as instituições universitárias a enfrentarem uma série de desafios, desde a manutenção/melhoramento da qualidade da oferta educativa em contextos amiúde de massificação até ao desenvolver planos de capacitação dos docentes e investigadores, sem esquecer o problema sempre presente das infra-estruturas necessárias para garantir uma boa formação. Nelguns casos os programas de ajuda estatal (como o FOMEC na Argentina) têm dado resultados positivos tanto para a incorporação e formação dos recursos humanos como também para a aquisição de equipamentos necessários para os cursos de comunicação (laboratórios de áudio e televisão, bibliografia, computadores, etc.).

Estas transformações verificam-se em diferentes sectores e processos do mundo universitário comunicacional, por exemplo nos planos de estudo e nos perfis profissionais que a universidade aspira formar.

 

 

 

 

 

 

 

Evolução | Situação Actual