Evolução histórica dos perfis universitários de comunicacão: debates actuais e tendências para o futuro
Desde sempre, os estudos universitários em Comunicação Social passaram por modificações nos planos de estudos que reflectem basicamente a tensão entre a procura da crescente sustentação no plano científico, a autonomia disciplinar, a especificidade profissional e a contextualização nos processos socioculturais e histórico-políticos. Todo este processo reflecte-se nos sucessivos planos de estudos.
Este documento analisa esta história e apresenta um primeiro mapa - neste caso quantitativo - do estado actual dos estudos de comunicação nas universidades participantes da Rede ICOD e nos países ibero-americanos. O documento termina com algumas reflexões sobre a especificidade do comunicacional a partir dos novos paradigmas.
1. Digitalização dos estudos da comunicação: um pensamento técnico que se inserem uma tradição do pensamento humanístico
As temáticas digitais nos estudos universitários da comunicação surgem associadas às disciplinas humanísticas. É um pensamento técnico que se insere numa tradição de pensamento crítico. São duas lógicas e dois registos do saber distintos que inauguram um campo diferente nos estudos universitários.
2. A comunicação digital na américa latina e na europa: alguns dados
A análise da situação dos estudos em comunicação nas universidades da América Latina permite concluir que a Argentina fundou, em princípios do século XX, as duas primeiras escolas de jornalismo. O projecto de criar carreiras universitárias de jornalismo foi concretizado anos mais tarde por um grupo da Associação de Jornalistas da cidade de La Plata, quando em 1940 a Universidade Nacional de La Plata lhes deu apoio incorporando os cursos que formaram a Escola de Jornalismo.
Nesse período, o Brasil também estabeleceu o treino formal dos jornalistas. Na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade do Rio de Janeiro promoveram-se cursos de jornalismo por pouco tempo, pois a universidade foi fechada em 1939. Em 1938, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) conseguiu aprovação de um decreto legislativo que permitia, entre outras coisas, o estabelecimento e manutenção de uma Escola de Jornalismo. Em 1943, negociações entre a ABI e o governo possibilitaram a oferta de cursos na Universidade do Brasil, situada no Rio de Janeiro. Em 1947, a Faculdade Cásper Líbero (São Paulo) estabeleceu o primeiro curso formal de graduação em Jornalismo.
Outros países seguiram o mesmo caminho. Cuba fundou sua primeira escola de jornalismo em 1942, o México em 1943, o Equador e o Peru em 1945, a Venezuela em 1947, a Colômbia em 1949, a Guatemala em 1952, o Chile e a República Dominicana em 1953, El Salvador em 1954, a Nicarágua em 1960, o Panamá em 1961, o Paraguai em 1965 e a Bolívia e a Costa Rica em 1968.
O Uruguai tentou organizar escolas de jornalismo em institutos privados durante os anos 50 e 60; na Universidade da República (Montevideu) os cursos não deram nenhum fruto até 1970. Honduras teve sua primeira escola em 1970: em 1980 Tegucigalpa possuía duas escolas universitárias, uma estatal e uma privada.
Foi assim que as faculdades e escolas de comunicação social se desenvolveram, de maneira significativa, nos últimos 50 anos. Entre 1970 e 1980, os programas de comunicação surgidos na América Latina multiplicaram-se, passando de 80 para 169. Em 1970, das 81 escolas existentes, 23 não estavam integradas numa universidade; dez anos depois, só 13 das 163 do total estavam na categoria de não universitárias. Na Argentina, onde 12 das 16 escolas eram do tipo "comercial" em 1970, o número baixou para sete em 1980.
A relativa juventude da comunicação na Universidade e a disparidade de experiências e contextos justificaram, em parte, a falta de padrões a partir dos quais elaborar modelos com bases comuns. O cenário actual é constituído por licenciaturas com ênfase no teórico, no prático e no tecnológico, e em cada caso aparecem razões bem fundamentadas.
Ligadas inicialmente a escolas de jornalismo ou instituições de pesquisa de audiências e opinião pública, os estudos universitários sistematizaram e enriqueceram os seus projectos com contribuições de diferentes disciplinas das ciências sociais.
A essa primeira fase seguiu-se uma abertura de novos enfoques que vincularam o comunicacional com as organizações, a informação, a educação, a cultura, a arte, a publicidade, o entretenimento, a política, a economia etc. Assim, as faculdades se encontram hoje diversificadas e com múltiplos enfoques.
Ainda que o objectivo da Rede ICOD não seja traçar um mapa exaustivo da situação dos estudos de comunicação no espaço ibero-americano, para poder reflectir sobre o ensino-aprendizagem da comunicação digital é necessário delinear o contexto onde esses processos acontecem. Nas próximas secções apresentaremos alguns dados que permitirão traçar um quadro geral da situação dos estudos de graduação e pós-graduação.
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